Rainhas Introdução

Como formar uma nova colónia e introduzir uma rainha Buckfast

A formação de uma nova colónia e a introdução da sua futura rainha são operações que devem ser realizadas com método, cuidado e sem precipitações.

Quando se pretende iniciar uma nova colónia com uma rainha Buckfast selecionada, considero fundamental proporcionar-lhe um período de adaptação progressivo, permitindo que as abelhas se habituem à sua presença antes de esta ser libertada.

O método que utilizo baseia-se na constituição de um núcleo com abelhas, criação e reservas de alimento, seguido de uma introdução progressiva da rainha ao longo de aproximadamente 10 dias.

A partir do momento em que a rainha é libertada, essa passa a ser a sua colónia definitiva, onde continuará o seu desenvolvimento e a sua postura.

1. Constituição do núcleo

Em primeiro lugar, é constituído um núcleo com uma boa quantidade de abelhas aderentes, acompanhado de quadros com criação e reservas de alimento, nomeadamente mel e pólen.

É importante que o núcleo disponha de uma população suficiente para assegurar o normal tratamento da criação e, simultaneamente, proporcionar à nova rainha condições adequadas para se estabelecer.

Sempre que possível, o núcleo deve ser constituído com uma boa quantidade de abelhas jovens e criação, criando um ambiente favorável à aceitação da nova rainha.

2. Regresso das campeiras à colónia de origem

Depois de constituído, o núcleo é colocado próximo da colónia de onde foi retirado.

As abelhas campeiras, orientadas para o local original da sua colónia, regressarão progressivamente a esse local, permanecendo no núcleo sobretudo as abelhas jovens e as abelhas responsáveis pelo tratamento da criação.

Esta composição é particularmente favorável à introdução de uma nova rainha, proporcionando-lhe um ambiente mais adequado à sua aceitação e integração.

3. Primeiras 24 horas

Após a constituição do núcleo, aguarda-se aproximadamente 24 horas antes da introdução da rainha.

Durante este período, as abelhas sentem a ausência de uma rainha e o núcleo assume a condição de orfandade.

Antes da introdução da nova rainha, deve ser realizada uma inspeção cuidadosa para verificar a eventual existência de realeiras.

Qualquer realeira encontrada deverá ser eliminada, uma vez que o objetivo é que a nova colónia seja formada tendo como rainha a Buckfast que iremos introduzir.

4. Primeira fase — a rainha na caixa de transporte

Decorridas as primeiras 24 horas, a nova rainha Buckfast é colocada no interior da sua caixa de transporte, que é introduzida no núcleo.

Nesta primeira fase, a rainha permanece protegida, permitindo que as abelhas estabeleçam contacto com ela e se habituem progressivamente à sua presença e às suas feromonas.

A rainha permanece nesta condição durante aproximadamente quatro dias.

Durante este período, o núcleo deve ser acompanhado e deve ser verificada a eventual existência de realeiras, que deverão ser eliminadas.

5. Segunda fase — proteção de rede sobre um quadro com criação

Ao fim dos quatro primeiros dias inicia-se uma segunda fase de adaptação.

A rainha é cuidadosamente retirada da caixa de transporte e colocada sobre um quadro com criação, numa zona adequada do favo.

Sobre a rainha é colocada uma gaiola de rede de introdução, fixada diretamente na cera, permitindo que permaneça protegida, mas em contacto próximo com as abelhas.

A escolha do local é importante, devendo existir criação e reservas de alimento nas proximidades.

Esta proteção permite ainda que as abelhas que entretanto vão nascendo no interior da rede tenham contacto direto com a nova rainha. Deste modo, essas abelhas desenvolvem-se já na sua presença e passam progressivamente a reconhecê-la como a sua rainha.

A rainha permanece protegida desta forma durante mais seis dias.

6. Os dez dias de adaptação

Com os quatro dias iniciais na caixa de transporte e os seis dias seguintes sob a proteção de rede, completam-se aproximadamente 10 dias de adaptação.

Durante todo este período, é essencial acompanhar o núcleo e verificar regularmente a eventual existência de realeiras.

Qualquer realeira encontrada deverá ser eliminada.

Esta vigilância é particularmente importante durante todo o processo de formação da nova colónia, garantindo que as abelhas não iniciam a criação de uma rainha alternativa.

7. Libertação da rainha

Ao completar os aproximadamente 10 dias, e desde que o núcleo apresente comportamento normal e não existam realeiras, a proteção de rede pode ser retirada.

A rainha é então libertada juntamente com as abelhas que entretanto nasceram e permaneceram com ela no interior da proteção.

Estas abelhas, que tiveram contacto direto e continuado com a rainha durante a fase de adaptação, acompanham-na na sua integração definitiva na nova colónia.

A partir deste momento, a rainha fica definitivamente instalada no núcleo, que continuará o seu desenvolvimento como uma nova colónia.

8. Acompanhamento após a libertação

A libertação da rainha não significa o fim do acompanhamento.

Nos dias seguintes deverá ser verificada a presença de ovos, larvas e criação regular, bem como o comportamento geral das abelhas.

Deve igualmente continuar a ser dada atenção à eventual formação de realeiras.

O objetivo não é apenas conseguir que a rainha seja aceite, mas assegurar que a nova colónia a reconhece, mantém e se desenvolve sob a sua liderança, permitindo que a genética da rainha seja transmitida às gerações seguintes.

Um método pensado para rainhas de elevado valor genético

Uma rainha Buckfast selecionada representa um investimento na genética e no futuro da nova colónia. Por esse motivo, a sua introdução deve ser feita de forma cuidadosa, evitando libertações prematuras e proporcionando às abelhas o tempo necessário para se adaptarem à sua presença.

O princípio é simples: não apressar a colónia.

Dar tempo às abelhas para conhecerem a nova rainha, protegê-la durante o período inicial e acompanhar cuidadosamente a existência de realeiras são etapas fundamentais deste método.

Na Apicultura Buckfast – Criação & Seleção, este procedimento é utilizado para formar novas colónias a partir de núcleos preparados para receber a sua nova rainha, proporcionando-lhe condições para se estabelecer e desenvolver desde o início como a rainha definitiva dessa colónia.